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Mikoyan Gurevich MIG-31 Foxhound – O caça mais rápido do mundo

As primeiras informações a respeito do MIG-31 Foxhound surgiram quando Victor Belenko desertou para o Japão com um MIG-25 Foxbast, o antecessor e também avião de caça mais rápido do mundo, em 1976, fez um alerta sobre um “Super Foxbat” que aumentaria o poder aéreo soviético substancialmente. Esse novo avião que Belenko havia comentado foi conhecido anos mais tarde e as diferenças e melhorias em relação ao MIG-25 eram tantas que a OTAN atribuiu uma nova designação, “Foxhound”.

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Desenvolvimento

O surgimento do MIG-31 esta ligado a uma necessidade dos soviéticos de acabar com a desvantagem que tinham em relação ao desempenho, eletrônica e a tática empregada em seus interceptadores. Essa situação era ainda mais evidenciada pela necessidade enorme que seus interceptadores tinham de serem orientados por estações de radar em terra. A fim de acabar com essa deficiência um elaborado requerimento foi lançado e a OKB Mig usou como base o MIG-25 para desenvolver um novo avião.
Leia mais sobre outros aviões de combate russos clicando nos links abaixo:
O novo protótipo, Ye-155MP, foi desenvolvido para atender esse requerimento que enfatizava à necessidade de um avião  capaz de suportar as interferências eletrônicas, equipado com um radar de longo alcance, capaz de localizar e acompanhar mais de 12 alvos ao mesmo tempo, além de atacar vários deles de forma simultânea. Além disso, para cobrir as grandes distâncias dentro do território soviético e chegar rapidamente a zona de interceptação o avião necessitava de uma grande velocidade, Mach 3. Assim, o novo projeto iria garantir que os soviéticos continuassem com o caça mais rápido do mundo em serviço operacionalPara que os voos a velocidade supersônica em baixa altitude fossem atingidos, o novo avião teve a estrutura muito modificada em relação ao MIG-25. A estrutura foi composta de 49% de liga aço-níquel, 33% de alumínio leve de alta resistência, 16% de titânio e 2% de materiais compostos.
Imagens do Mikoyan Gurevich MIG-31 Foxhound em miniatura na escala 1:72.

As diferentes forças aéreas soviéticas

A União Soviética possuía duas forças aéreas bem distintas, uma delas era a VVS (Voenno-Vozdushniye Sily) Força Aérea Soviética propriamente dita,  e a outra era a IA-PVO (Istribitel´nay Aviatsiya-Protivovozdush´naya Oborona Strany) Comando de Caças de Defesa Aérea. A IA-PVO era responsável pela defesa do espaço aéreo soviético, para isso, contava com complexo sistema de defesa que incluía radares e mísseis terra-ar de todos os tipos e modelos.
Conheça o MIG-31 Vermelho 08 Boris Safonov acessando o link abaixo.

A IA-PVO contava ainda com seus próprios interceptadores que respondiam unicamente ao comando da IA-PVO, atuando totalmente independente da VVS. Entre os interceptadores da IA-PVO estavam o MIG-23, MIG-25, Su-15 e Tu-128. Para fazer frente as novas ameaças representadas pelos novos F-15 Eagle USAF (Força Aérea Norte-americana), F-14 Tomcat US Navy (Marinha) e ainda conter os voos de reconhecimento do Lockheed SR-71 Blackbird, os interceptadores soviéticos estavam fadados ao fracasso. Isso porque eram inferiores em desempenho e, principalmente, na suite de aviônicos e armamentos.

Um novo avião para proteger as fronteiras

Com o desenvolvimento dos protótipos que voaram, primeiramente, com o “831” e em 22 de Abril de 1976 com o “832”, já equipado com radar, a balança iria mudar a favor dos soviéticos. A produção teve início em 1979 e, em 1980 o avião já havia realizado quase todos os testes de aprovação e começaram a entrar em serviço operacional em 1983. O começo das atividades do MIG-31 foi bastante complicada.

Os pilotos levaram algum tempo até se habituarem e explorarem ao máximo as características do novo interceptador. Inicialmente os voos de espionagem do SR-71 não foram bloqueados, isso porque as táticas empregadas pelos soviéticos mostravam-se ineficientes e o tempo gasto entre alerta e decolagem fazia com que o SR-71 conseguisse escapar.

Os pilotos soviéticos passaram a conhecer melhor e se habituar com o novo avião de combate e novas táticas de interceptação foram colocadas em prática. A destreza dos pilotos soviéticos ficou evidente quando em 8 de Março de 1984 um SR-71 foi impedido, por dois MIG-31, de entrar no espaço aéreo soviético quando ainda estava em águas internacionais. Em outra ocasião, em 27 de Maio de 1987 outro voo de espionagem do SR-71 foi interceptado por um MIG-31. Os soviéticos mostraram que finalmente tinham um interceptador capaz de proteger suas fronteiras. Além disso, o MIG-31 ainda é considerado o único avião com reais capacidades de destruir mísseis cruise avançados como o AGM-109 Tomahawk e o AGM-86 ALCM, ambos norte-americanos.
Imagens do Migoyan Gurevich MIG-31 Foxhound na escala 1:72.
Uma mudança radical aconteceu dentro da estrutura da IA-PVO em 1998, houve uma separação e suas estruturas foram fundidas com a VVS. Os interceptadores que eram totalmente independentes da VVS passaram a responder a uma única força de comando. Novas táticas foram lançadas e aprimoradas e a disponibilidade dos aviões aumentou muito desde então. Entre as novas doutrinas empregadas com o uso do MIG-31 esta a de usar um único MIG-31 para liderar grupos de caças Sukhoi Su-27, formando verdadeiras esquadrilhas de caçadores.

Radar e Sistemas

O que faz do MIG-31 um avião de combate com enorme eficiência em localizar e destruir seus alvos aéreos é o seu poderoso radar Zaslon (escudo para os russos), de varredura eletrônica (phased-array radar). Começou a ser desenvolvido em 1968 pela Phazotron e no início dos trabalhos era baseado em tecnologia de radares anteriores como o Sapfir. A equipe da Phazotron teve dificuldades em produzir um radar que atendesse aos requerimentos, o principal deles, localizar e destruir os mísseis cruise em perfil de voo próximo ao solo. Entre outros pontos requeridos estava o de ter total capacidade “look down/shoot down” e seguir e engajar diversos alvos simultaneamente. Todos os pontos chaves do requerimentos foram alcançados quando a Phazotron transferiu seu trabalho para outra empresa, a NIIP.

Em 1981 o radar Zaslon se tornava o primeiro radar de varredura eletrônica operacional no mundo. A vantagem de um radar de varredura eletrônica contra um radar de varredura mecânica esta na precisão e rapidez que a eletrônica tem sobre a mecânica. O Zaslon opera em duas bandas o que dificulta ainda mais as interferências eletrônicas contra o Radar. Para se ter uma idéia do feito realizado pelos soviéticos com a introdução do Zaslon, a Força Aérea do Estados Unidos (USAF) equipou seus primeiros aviões de caça com radares de varredura eletrônica em Dezembro de 2000, representados por um lote de 18 F-15C que tiveram seus radares AN/APG-63 modificados.

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Há fortes especulações de que os Estados Unidos só conseguiu realizar esse programa graças as informações obtidas do chefe da equipe Phazotron, Adolf Tolkachev. Esse grave incidente aconteceu em 1985, Tolkachev foi preso pelo serviço secreto soviético e executado, mas através dele os norte-americanos obtiveram informações preciosas sobre vários radares que equipavam os caças russos. Ainda dentro da suite de aviônicos há os equipamentos de comunicação R-862 (UHF), R864 (HF), P591 (sistema de alarme vocal) e o SPU-9 (intercomunicador). O sistema de IFF (identificação de amigo ou inimigo) é formado pelo receptor SRZ-2P, transmissor SRO-2P além do transponder SO-69.
Os aviônicos de voo são os A312 Radikal-NP ou A-331 Shoran e A-723 Kvitok-2 Loran. Ainda há os sistemas de navegação de longo alcance Marshrut, de médio alcance Tropik , o radar altímetro RV-15 e o radiocompasso ARK-19. O equipamento de datalink APD-518 possibilita que quatro MIG-31 se comuniquem entre si formando uma barreira eletrônica de até 900 Km de largura. Ainda há o display de situação tática, o BAN-75 que é um link de comando, o Raduga/Bort MB5U15K sistema de datalink para estabelecer a comunicação ar-solo, o equipamento RHAWS SPO-155L e o sensor retrátil de busca e seguimento através de infravermelho. Piloto e operador de sistemas de armas estão sentados em assentos ejetáveis Zvezda K-36DM.

Armamento

O MIG-31 tem ao seu dispor uma poderosa combinação de mísseis, mas entre todos eles o R-33 é a principal arma. O Vympel R-33 (AA-9 na designação da OTAN) é um míssil ar-ar de longo alcance. Em sua configuração típica um MIG-31 leva quatro desses mísseis em sua fuselagem central. É um míssil  de 4,15 metros de comprimento, pesando 490 Kg, podendo atingir alvos que oscilem entre 25.000 e 28.000 metros de altitude podendo estar até 10 Km acima ou abaixo do MIG-31 lançador. Sua orientação é por piloto automático na fase inicial de voo e semi-ativa na sequência, podendo ainda, ser lançado com a opção de guiagem inercial (possibilita receber correções da posição do alvo durante o voo pelo MIG-31 que o lançou).
O radar Zaslon pode continuar iluminando o alvo enquanto ataca até quatro alvos de forma simultânea. A fase final do voo do R-33 é por radar ativo, ou seja, seu próprio radar de bordo é acionado e voa até o impacto final de forma autônoma. Uma nova versão deste míssil com aletas dobráveis e um maior alcance foi lançado, o R-37. No arsenal do MIG-31 ainda incluem os mísseis Bisnovat R-40T e Vympel de médio alcance e os Bisnovat R-60 e Vympel R-73 de curto alcance. Além dos mísseis esta instalado um canhão interno de GSh-6-23 de 23mm.
Imagens do Mikoyan Gurevich MIG-31 Foxhound ao lado outros aviões de combate da Força Aérea Russa.

Motor

O que faz esse interceptador atingir a velocidade de Mach 3 é sua aerodinâmica desenhada especialmente para esse tipo de voo, mas principalmente seus motores. Os turbofans D-30F6 Aviadvigatel, antigos Soloviev, desenvolvem um empuxo com pós-combustão de 17.500kgf cada. Herdando a velocidade máxima de seu antecessor, MIG-25, o MIG-31 consegue atingir a velocidade de Mach 3 em grande altitude, embora a velocidade máxima na ordem de Mach 2.83 seja a recomendada. A nível do mar o MIG-31 consegue atingir incríveis Mach 1.23, sendo um dos poucos aviões que estabelecem essa velocidade em baixa altitude. Um motor que fala alto também bebe muito e para garantir os grandes voos esse interceptador leva internamente 16.350 Kg de combustível. Essa combinação de fatores fazem do MIG-31 o avião caça mais rápido do mundo em atividade.

Versões

Entre as versões e aviões de testes destaca-se o MIG-31D que tinha como finalidade destruir satélites, com as pontas das asas equipadas com aletas verticais para o voo a grandes altitudes. Esse projeto acabou sendo cancelado. Outro versão desse mesmo MIG-31D foi lançada em meados dos anos 1990 com a finalidade de lançar pequenos satélites, esse projeto também foi cancelado. Hoje a frota de MIG-31 da Força Aérea Russa esta em processo de modernização para o padrão MIG-31-BM. Essa nova versão tem muitas melhorias entre elas, um radar Zaslon-AM, avionicos melhorados, três telas multifuncionais digitais para o operador de armas. O radar Zaslon-AM tem uma maior capacidade no modo ar-ar, passando agora a localizar e acompanhar até 24 alvos de forma simultânea. Ao arsenal de mísseis ar-ar foi acrescentado o novo R-37, além do mais, o MIG-31BM tem uma real capacidade de ataque ar-solo podendo lançar mísseis como o Kh-59 e 59M guiados por TV, mísseis anti-radar Kh-59, Kh-31P e Kh-25MP, além de bombas guiadas KAB-1500L/TK e KAB-500Kr.
A manutenção do MIG-31 no inventário da Força Aérea Russa, através da modernização da atual frota para o padrão MIG-31BM, mostra o quanto esse interceptador é prestigiado pelo alto comando e pilotos russos. Sua velocidade fenomenal, seu poderoso radar e sua combinação de armas de curto, médio e longo alcance vão garantir que as fronteiras da Mãe-Rússia estejam bem protegidas por muito tempo.

Características técnicas do MIG-31 Foxhound

Tipo: interceptador biplace (piloto e operador de armas) 
Envergadura: 20,46 m
Comprimento:  22,69 m
Altura: 6,15 m
Superfície alar: 61,6 m2
Peso vazio: 21.820 Kg
Peso máximo de decolagem: 46.200 KG
Velocidade máxima: 3000 Km/h (Mach 3)
Teto de serviço: 20.600 m
Raio de ação: 720 Km
Motores: dois turbofans Aviadvigatel D-30F6 com 17.500 Kg de empuxo com pós-combustão cada.
Armamento: mísseis ar-ar de curto alcance Bisnovat R-60 e Vympel R-73, médio alcance Bisnovat R-40T e Vympel R-77, longo alcance Vympel R-33. Versão Mig-31BM pode levar armas ar-solo que incluem o Kh-59 e Kh-59M, mísseis anti-radar Kh-58, Kh-31P e Kh-25MP, bombas guiadas KAB-1500L/TK e KAB-500Kr, além do canhão Gsh-6-23 de 23 mm.

Video da miniatura do MIG-31 Foxhound

Mais informações sobre o Mikoyan Gurevich MIG-31 Foxhound podem ser obtidas no link abaixo:
Área Militar

Sobre Adriano Alves

Começou a escrever em blogues em 2009 como convidado e não parou mais. Hoje escreve em quatro blogues, trabalha em uma empresa como Analista de Suporte Técnico e tem como hobby ler, estudar, ouvir música, assistir filmes e seriados e, principalmente, colecionar miniaturas militares.

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